Janeiro 4, 2007
Essa cidade tem muito do cara tá ali, sossegado… de repente, uma cadeirada, e a roupa encharca de sangue.
Essa cidade é cheia dessas coisas. Parece que tá morta, avenida vazia, e de repente uma cadeirada e a roupa encharcada de sangue. Você fica ali meio que sem saber o que fazer, e não tem acorde que durma embaixo do pedido de socorro do cara -
liga pra polícia, liga pra polícia… Meio grandeza, meio pequenez, liga pra polícia, mas também sai fora correndo.
Hoje, sete, oito cabeças vão dormir pensando nisso. Amanhã, sete, oito cabeças vão acordar com a cabeça em outro lugar.
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Londrina |
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Escrito por cenarock
Outubro 5, 2006
Essa cidade tem muito da gente falar me deixa aqui, tá tranqüilo. E mija na primeira tendinha que aparece, e a água da chuva leva o mijo pro esgoto, e tudo acaba por ali mesmo.
E vai indo, desencanado dos poucos carros que ainda insistem, e cambaleia pela rua com os braços pro ar, com a certeza de ser o único idiota a andar com os braços pro ar nessa hora, nessa chuva.
Essa hora na cidade tem muito de ser só sua. De poder assobiar qualquer melodia improvisada e ninguém tá nem aí. Esse negócio de pegar chuva virou muito clichezão, mas às vezes purifica mesmo.
E o último cigarro te acompanha até em casa, e a cidade adormecida passa aquela sensação de dever cumprido. E o porteiro puxa uma conversa, e aquela respostazinha malandra, aquela saída com estilo faz o dia. Amanhã, com ressaca, sem ressaca, com chuva ou sem chuva, a cidade vai levando o dela. A rua mais suja e a cabeça mais limpa.
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Londrina |
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Escrito por cenarock
Outubro 4, 2006
Essa cidade tem muito da gente se perder por aí. De parar na esquina, olhar pra trás e ver se o guardinha vai multar alguém. De às vezes parar de correr, e se esconder no vão da parede pra assustar um conhecido. Sempre tem algum conhecido andando pela cidade.
É reconfortante não ir nos lugares por obrigação. Parar no boteco não porque precisa tomar uma cerveja, mas como se pararia pra cumprimentar um camarada. Porque meia horinha não vai arruinar sua agenda. Não por aqui.
Pode parecer bobeira, mas essa cidade nunca expulsou ninguém – trouxas os que vivem na iminência de São Paulo.
Essa cidade tem muito de família, de gritar, fechar a cara e ameaçar, mas no fim sempre acaba arranjando um lugarzinho. Aqui eu tenho certeza que nunca vou precisar de renda fixa, mestrado e doutorado e terno alinhavado. Pode não ser o que ela queria, mas ela sempre vai me descolar uma cervejinha quando o dia amanhece – se é o que eu quero, se é isso mesmo. Ela entende.
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Londrina |
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Escrito por cenarock