altributo II – De ser

Junho 17, 2006

Dormindo às minhas costas um sono que não digo dos justos, e sim de quem nem se preocupa – pois se quaisquer virtudes não lhe são pensadas. E lhe acorda a estridência de um desses pop-ups sorrateiros; me olha a cerveja e o cigarro à boca, me abençoa e torna ao sono.

De me fazer esquecer do cigarro, da cerveja, da inspiração.

De amar incondicionalmente, de dormir despreocupada do que escrevo, de me completar ainda que dormindo. De não ser absolutamente nada do que eu precisava, e tudo que me importa.

De não precisar entregar-se à mundanidade do computador pra revelar isso, de não precisar beber meia dúzia antes de dizer o que, sóbrio, nunca foi diferente. Disso há de se admirar.


altributo I – Da sagacidade

Junho 6, 2006

A despeito de minhas cenarocks, prezo pela não-violência. Mas confesso a recorrência de meus mais sórdidos instintos beligerantes ao ler meu camarada Calsavara.

Quantas não foram as vezes que, frente ao computador, me ative afoito à cadeira, os punhos cerrados esmurrando Calsavaras imaginários.

Enquanto forço-me ao bar, desacompanhado, na quase sempre vã tentativa de lograr-me inspiração, tenho pra mim o filho da puta sentado tranqüilo em casa, chicoxavierizando textos mui, mui além do que escrevo agora.

E o pior é que é bom. É invariavelmente muito bom.

E me inclino irascível a esbravejá-lo ao me deparar com suas considerações prestidigitadas, nos esnobando com sua leveza – despretensiosa à superfície; dissecando o que sempre suturei, antevendo coisas que sequer ousarei rememorar.

E me vejo diminuto, parindo – parnasianamente e a fórceps – filhos prematuramente abandonados pelo pai.