Londrina – Sol

Outubro 4, 2006

Essa cidade tem muito da gente se perder por aí. De parar na esquina, olhar pra trás e ver se o guardinha vai multar alguém. De às vezes parar de correr, e se esconder no vão da parede pra assustar um conhecido. Sempre tem algum conhecido andando pela cidade.

É reconfortante não ir nos lugares por obrigação. Parar no boteco não porque precisa tomar uma cerveja, mas como se pararia pra cumprimentar um camarada. Porque meia horinha não vai arruinar sua agenda. Não por aqui.

Pode parecer bobeira, mas essa cidade nunca expulsou ninguém – trouxas os que vivem na iminência de São Paulo.

Essa cidade tem muito de família, de gritar, fechar a cara e ameaçar, mas no fim sempre acaba arranjando um lugarzinho. Aqui eu tenho certeza que nunca vou precisar de renda fixa, mestrado e doutorado e terno alinhavado. Pode não ser o que ela queria, mas ela sempre vai me descolar uma cervejinha quando o dia amanhece – se é o que eu quero, se é isso mesmo. Ela entende.