Eu não estou disposto a pagar o preço. E, quando ele me disse que iria até o fim, eu entendi que nunca estive disposto a pagar o preço. Os preços, do que bem queira, estão em todo lugar – as etiquetas no supermercado, os natimortos num pote de conserva no verso do cigarro.
Mas nunca fizera o orçamento da minha vida. E foi isso que me salvou; em cima da hora, ali – assinando a primeira prestação dum destino aberto à facão por todos que o trilharam antes de mim, e que agora me puxavam absortos à mesma merda.
Minha descida é com corda, com a segurança de me puxarem de volta quando o fundo não for chão. Guardo minha admiração em quem erra por terreno movediço, mas mantenho seguro meu porto.
É bom que meu texto não agrade; sei que nunca vou poder lhe confiar a saideira. E me levo sozinho. Assim não herdo nada. Principalmente, não lego nada. Nunca beberam comigo quando eu bebi sozinho.