Não vou perder tempo falando mal de cinema, literatura e correlatos. Tenho pra mim que são coisas verdadeiramente repugnantes, e azar de quem diz que gosta.

Mas é engraçado o gosto que eu gradualmente perdi pela música. Assim como todos os afiliados ao orkut, eu já tive meus tempos de amo música, não vivo sem ela. Mas hoje em dia só ouço o que toca na rua e no carro, sendo que neste caso só serve à função de exponenciar seu volume ao me aproximar da Casa da Cachaça, tão-somente pra irritar seus freqüentadores.

E o foda é que eu sei que eu deixei de ouvir música porque os outros também ouvem. É patético mesmo, eu admito. Hoje me peguei – e só me atinei disso agora – respondendo a um cara que me perguntara se me afeiçoava a determinada banda: não – por quê? – porque fulano gosta.

A única coisa que ainda me pega pelos culhões são essas malditas pérolas pop. Desde pequeno, sempre tive uma afetada e brega predileção por coisas coloridas – arco-íris e caixas de lápis de cor cromaticamente ordenadas.

E toda pérola pop é colorida. Nunca gostei de blues por ser preto, jazz azul-marinho, música erudita branca. E nem vou tanger a questão do cromatismo aplicado à teoria musical, que eu ainda estou no primeiro semestre de violão e não sei o que é isso. Mas uma coisa é certa: Good Vibrations tem todas as cores da cartela, assim como Uncle John’s Band ou Penny Lane.

Neste momento em particular, é Care of Cell 44, do Zombies, que habita o repeat do Winamp. Nada que já não tenha sido descoberto por todos os afiliados ao orkut, mas não nego que fiquei feliz da vida de conhecê-la ontem.

É muito bom esse negócio de catarse em três minutos e meio; mais ou menos o mesmo efeito que a benzina nos dava adolescentes – também deixava tudo colorido e durava três minutos e meio.

Eu quero um dia compor uma pérola pop; aí eu descanso, e meu filho vai se defender no colégio: a gente pode ser pobre, mas meu pai compôs aquela música. E, no obituário do JL, vai sair: morreu desempregado o autor daquela música, aquela pérola pop.

Não existem obras geniais. Existem pessoas geniais, que, em decorrência da sua genialidade, lançam obras geniais.

Obras são indissociáveis de seus autores. Eu não consigo rir de pessoas das quais eu não gosto. E acredito que qualquer pessoa com um mínimo de dignidade faria o mesmo. A melhor piada possível não tem graça alguma num idiota. Então por que uma obra plena de méritos musicais seria genial na mão de um cretino? Seria apenas uma obra plena de méritos musicais – nada além.

Ou você adota uma postura coerente com a genialidade – insuportabilidade, reclusão, extravagância –, ou será apenas mais um.

Por isso que Brian Wilson é o cara. Não fosse seu histórico de esquizofrenia patológica que não convém detalhar aqui, seu cancioneiro seria só um cancioneiro fudido, assim como o do Paul McCartney, que não é gênio porque é, em última instância, um borsa.

Mas, como sempre, isso é só uma opinião errada. Não precisa dar de dedo na minha cara.

5 Respostas para “”

  1. Livia Disse:

    tadinho…não fala assim!!
    hehehe
    Bju Lindo

  2. boneco Disse:

    Não subestime o obituário do JL, aliás , não subestime o JL. Jornal de graça , bons obituários, ótimas palavras cruzadas. Lá, sim, receberás as homenagens póstumas que realmente merece.
    Pô, não precisava escrachar no blog do gordo. Essas coisas acontecem.

  3. Calsavara Disse:

    Dá uma olhada…

  4. Kadu Guariente Disse:

    Nada contra opiniões.Brian Wilson depois de Bob Dylan, é o grande gênio do Pop americano.Mas até ai chamar o Macca de “Borsa” é o mesmo que chamar Elvis de Boçal.Para um cara que fez albuns com Wings Wild Life,Ram e Back to the Egg, sem falar daquela bandinha dele não é mesmo? há..os Beatles..pois é..teve até uns carinhas de NY que pegaram um dos nomes artisticos dele…Paul Ramon..hehe..pergunta ao Joey Ramone o que ele acha do Paul MacCartney…abraços!

  5. cenarock Disse:

    Claramente, você leu o que queria ler

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