Deselegantemente oposto a um amigo meu, eu não sinto a menor saudade do segundo colegial. Claro, tenho grandes histórias da época, mas que só me tem uso pra mostrar pra minha mina como um dia eu já fui legal.

No entanto, não sei, talvez seja a sétima de um dia de boas cervejas, mas me deu aquele ímpeto e eu reinstalei o mIRC.

Porra, nem lembro há quantos anos eu acessei a última vez o #londrina. A internet tem dessas coisas: é só começar a pegar o jeito da coisa, e alguém já inventa um substituto.

Bons tempos em que status se determinava pela arroba antes do nome da pessoa, que o canal da cidade tinha eternas duzentas pessoas conectadas, e você conhecia metade dos que estavam lá – ainda que fisicamente só uns cinco.

Elegantemente oposto ao meu irmão, nunca fui rato de computador. Mas o mIRC marcou minha vida como poucas coisas e pessoas marcaram. Eu lembro: foi no #gamagame em que ampliei minha casta de conhecimento inútil, no #gamo finalmente obtive o devido reconhecimento por tão extensa miríade cognoscitiva, um imponente + antes do meu nick, que nem lembro mais qual era. No #jesus eu aprendi a contestar as falácias religiosas. Foi no pvt que eu passei a primeira cantada numa mina – e levei um toco. Foi naquela poluição de cores, underlines, arrobas, que eu… bem, juro que fui até abrir outra cerveja, mas não sei dizer o que mIRC fez por mim. Sei que eu me diverti pra caralho.

Com o tempo, tomei a cara de chegar nas minas, de blasfemar minha vó crente. Quanto ao #gamagame, confesso minha mais absoluta involução em não mais lembrar o nome de cinco empresas de telecomunicação ou quem gravou a música “Mesa de bar”, junto com Alcione no cd “Celebração”.

Bom tempo em que cada roda de amigos tinha seu próprio canal, tempo em que abri dissensão na luta pelo comando da sala. E saí vencido. Humildemente outorgaram-me o comando do canal dissidente, e aprendi da maneira mais humilhante a não me embriagar com o poder. Tempo sem MSN, celulares; em que você podia chamar o cara sem se preocupar em arruinar a trepada dele.

Tempo em que o nosso canal tinha nome de maconha, mas todo mundo se cagava por dentro quando a primeira puta tirava pra fora a buceta mal lavada.

Parece despropositado esse saudosismo das coisas modernas, mas em algum momento isso fez sentido pra mim. Não sei se pelo mIRC em si ou pela vida que eu vivia no tempo do mIRC, e nem a quero de volta – deselegante oposto a um amigo meu. Mas eu encho o copo e dou um trago fundo só de lembrar.

O mIRC anda deserto, e ninguém se propôs a conversar comigo até agora. E nem devem. Eles, à procura de mp3 ou uma metida virtual, não entraram lá pra ouvir saudosismo barato. Minto: um cara me abordou com uma concisa propaganda do canal de jogos concorrente. Tentei puxar conversa, mas insistiu na propaganda. Não estava lá pelo saudosismo.

3 Respostas para “”

  1. Teixeira Disse:

    Temos que criar o canal #espetinho_com_fanta

  2. andresimoes Disse:

    Agora sim tá indo.
    Grande texto! Também discordo do seu amigo.

  3. calsavara Disse:

    Então, véio, acessar o mIrc aqui do trampo é tarefa pra outra vida. Mas assim que estiver com o telefone funcionando de novo no cafofo, participarei do referido canal…

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