Às vezes me distancio enquanto falo
e penso em trocentas maneiras que eu, não fosse eu, me xingaria
Mas as guardo pra mim – e me calo
Hai Kai da esperteza, mas também do mais genuíno desleixo métrico
Julho 27, 2006Trouxismos
Julho 27, 2006Não que cenarock não seja um nome otário, mas que negócio é esse de intitular blogs com trocadilhos infames de aluno de Letras – amorizade, enloucrescendo, pensamenteando? E o pior é que, a julgar pela fama, é disso que o povo gosta.
Da liberdade de querer mal os outros
Julho 27, 2006Posta minha disposição em jogar uma peladinha de quando em nunca, meu esporte preferido sempre foi o de irritar pessoas em mesas contíguas no boteco.
Ocasiões como aquela em que o Pátio levantou-se em massa a me censurar meramente por eu achar o Rio de Janeiro feio. Os boyzinhos imberbes ao lado sugestionavam-me, em expressão inédita, conversar com a Hebe; um senhor do outro lado da cerca lembrava-me: era carioca da gema – no que só pude replicar bom pro senhor. E o inevitável aconteceu: os intelectualóides vizinhos quiseram entrar na conversa. Burro eu também, que me evadi no momento duma das regras pétreas da civilização: só escroto invade conversa dos outros – gente de fato civilizada põe-se tão-somente a resmungar a burrice alheia.
Não deu outra: o cara era da Unopar (UNiversidade PARticular). Disse, evocando a correção política, que não se pode generalizar uma afirmação, tanto mais quando se trata de uma cidade inteira. Sendo da Unopar, não tardou a descer o pau em Uberlândia, como não fosse esta também uma cidade. A conversa afundou de vez quando ele e seu companheiro, arrogando-se fanatismo incondicional pelo Floyd, perguntaram o nome daquele álbum que eles fizeram de trilha pro Mágico de Oz.
Desse momento doravante, assentei-me na certeza de vida que a mesa ao lado sempre comportará pessoas estúpidas, até que se prove o contrário – e devo dizer que nunca tive a satisfação de prová-lo.
Irritar os arredores não é um expediente simples como pode parecer. Necessita-se sobretudo colegas de cerveja dotados de um mínimo de acuidade intelectual e disposição a descer contigo até a última instância. Pena nunca termos, eu, Danilo, Gonzo e o Simão, concretizado o plano de nos sentarmos no Valentino ou Bar Brasil a descer o pau – justiçadamente – em alguma Bjork ou coisas do tipo, só pelo prazer de defenestrar o primeiro óculos de aro grosso que levantasse a voz pra gente.
…
Apiedou-me o Cibié confessando seu medo de ser tachado de nazista pelo simples fato de acreditar na seleção natural. É justo: de fato, tem gente que nasce pra ser pedreiro – pena que parte substancial desse contingente disponha de grana o suficiente pra comprar a mãe de seus pedreiros.
Escrito por cenarock
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